"Machadiando- Três Histórias de Machado de Assis" inaugura o Teatro do Vidigal

24junho Foto Machadiando

 

Foto Acervo Nós do Morro: Flávia Frenzel (esq.) e Mary Sheyla em "Machadiando- Três Histórias de Machado de Assis".

 

 

Três textos dramáticos de Machado de Assis traçam um retrato irônico da sociedade burguesa do Rio de Janeiro na passagem do Império para República. Lição de Botânica, Antes da Missa e Hoje Avental, Amanhã Luva mostram o panorama da sociedade brasileira do século XIX e as contradições das elites, sujeitas às mudanças ocorridas no país durante o Segundo Reinado.

 

 

Guti conta que a inspiração para encenação em 1996 foi a necessidade da montagem de uma nova peça teatral, que desde a saída do Padre Leeb não acontecia, inspirando assim a montagem de “Machadiando- Três Histórias de Machado de Assis”. Nessa ocasião também ganhamos nossa primeira mesa de luz. Logo na estreia, conseguimos trazer ninguém menos do que a crítica teatral, autoridade na obra de Shakespeare, Barbara Heliodora. “Teatro que é teatro tem que ter cortina de veludo vermelha”, ela disse. E o nosso tinha. Depois disso, recebemos também Cicely Berry, preparadora vocal do Royal Shakespeare Company, que virou nossa parceria eterna. O espetáculo nos carimbou com o nosso primeiro prêmio: fomos agraciados com o IX Prêmio Shell de Teatro, na categoria Especial, e indicados ao Mambembe. Os títulos soavam como uma primeira vitória rumo ao reconhecimento do Nós do Morro como companhia de teatro profissional. Considerados nossos dez anos de carpintaria artística, estava ali registrada, finalmente, a nossa carteira de identidade. A partir desse momento, as portas se abriram.

 

 

O Nós do Morro tem 30 anos de história pra contar, semana que vem tem mais!

 

 

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O nascimento do Núcleo Audiovisual Nós do Morro

 

 

Matéria Jornal em baixa

 

Foto Acervo Nós do Morro: Matéria do Jornal do Brasil em 21 de outubro de 1997. Na foto: Primeira turma de cinema com Rosane Svartman (de vermelho).

 

 

Tudo começou em 1994 com a parceria de Rosane Svartman e Vinicius Reis com o Grupo, quando Vinicius assumira a direção e Rosane o roteiro do curta-metragem “Testemunho Nós do Morro”, que conta a história de 10 anos do Grupo com ênfase na construção do Teatro do Vidigal e nova peça que estava sendo ensaiada. Durante as gravações, que culminam com a estreia de “Machadiando - Três Histórias de Machado de Assis”, a dupla percebe o interesse dos jovens pela técnica que está por trás das lentes.

 

 

Com o final das filmagens do documentário, Rosane e Vinicius propõem a criação de uma turma de estudos cinematográficos.  O trabalho se desenvolve em duas frentes: aulas teóricas de história do cinema, direção e roteiro na própria sede, que nesse momento era o Teatro do Vidigal, ainda em construção. E aulas práticas no Centro Técnico Audiovisual (CTAv, da Funarte), onde ficava a antiga Embrafilme, e nas salas de cinema do Grupo Estação.

 

 

 

No ano de 1996 o documentário "Testemunho Nós do Morro" é lançado e nasce o “Núcleo Audiovisual Nós do Morro”. 

 

 

 

Com dois anos de aulas e experimentos fílmicos, o Grupo faz seu primeiro intercâmbio, com a vinda de jovens de Portugal, Colômbia, França e Alemanha ao Brasil para a troca de vivências e experiências com o fim de produção de um vídeo, fruto desta experiência. O intercâmbio, uma parceria entre o Projeto Chapitô, de Lisboa e o Nós do Morro, consistiu em encontros realizados no Teatro do Vidigal, nos quais tiveram participação os integrantes do Grupo que já estavam envolvidos na área do audiovisual (participando de oficinas ministradas por Vinicius e Rosane). Como resultado do processo, foi finalizado o roteiro de um curta, denominado “Mala Macaca”, que começou a ser filmado no Brasil e finalizado em Lisboa, pela equipe do Chapitô. Era a primeira vez que o Nós do Morro saia do Brasil.

 

Desde a sua fundação em 1996 até os dias de hoje, o Núcleo já produziu mais de vinte curta metragens e longas-metragens documentários e formou  profissionais que hoje fazem o cinema brasileiro.

 

 

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DE TIJOLO EM TIJOLO SE CONSTRUIU O TEATRO DO VIDIGAL

 

 Teatro Antigamente

 

Fotos Acervo Nós do Morro (1994): Integrantes do Grupo na obra do Teatro do Vidigal.

 

 

Em 1995/1996, o Nós do Morro passa a viver uma nova fase, com a consolidação da nossa mudança para o terreno nos fundos da EM Almirante Tamandaré, onde nos instalamos nos pilotis do prédio. O espaço no qual o grupo se abrigou era um vão aberto embaixo das salas de aula, onde existia uma grande pedra que ocupava a maior parte do local. Ali eram guardados materiais de cena e figurinos e, com o dinheiro das bilheterias das apresentações do Show das Sete no pátio da escola e ajuda de comerciantes locais, conseguimos alguns trocados para fechar uma “caixa”, que servia de sede e depósito das nossas traquitanas.

 

O tempo passou e surge a ideia de construção de um espaço maior, que pudesse funcionar como espaço de apresentação e de sede do grupo. Depois de muita conversa com a então diretora do Tamandaré, a professora Márcia Brasil e da ajuda dos cineastas Vinícius Reis e Rosane Svartman - que se tornariam os fundadores do Núcleo de Audiovisual do Nós do Morro- resolvemos iniciar a construção do Teatro do Vidigal.

 

 

Vinicius e Rosane subiram o morro para rodar o documentário Testemunho Nós do Morro, projeto que tinha recebido um patrocínio da prefeitura.  E logo se encantaram com o projeto, transformando-se em parceiros de primeira hora do grupo, destinando uma parte da verba do filme para ajudar na construção do teatro. Os comerciantes locais também foram de muita ajuda, doando material ou dinheiro para comprar o que faltava.

 

 

Uma das tarefas mais difíceis foi quebrar a pedra gigante que ficava no espaço compreendido pelos pilotis da escola. Depois de muitas unhas quebradas, dedos amassados e colunas estropiadas, se conseguiu algum para contratar um especialista que, em um dia, quebrou o dobro de pedra que a gente tinha conseguido quebrar em um mês. Guti comentava: “mas ele corta a pedra como se estivesse cortando manteiga!”. Em resumo o homem acabou com a pedra em menos de uma semana e no lugar dela surgiram o espaço dos camarins, da cabine de iluminação e a plateia do nosso teatrinho. Outra façanha homérica foi a laje da entrada do teatro. Teve gente do grupo que baixou enfermaria com problemas cervicais. E até hoje, a façanha destes artistas movidos a sanduiches de pão com mortadela e coca-cola é lembrada pelas dores de joelhos e na coluna dos pioneiros que fizeram parte deste grupo para a concretização de mais um sonho do Nós do Morro.

 

Aqueles que não acreditam nessa história podem pedir exames de raio X das colunas da galera que “trabalhou” na construção do teatro e poderão comprovar o quão duro é a vida de pedreiro e servente, pois como não havia dinheiro, todo mundo botava a mão na massa e os baldes de pedra e concreto nas costas.

 

 

O Teatro do Vidigal ficou pronto em meados de 1996 para a estreia do espetáculo Machadiando – três histórias de Machado de Assis, que cumpriu temporada até meados de 1997, tendo sido reapresentado em 1998 no Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim. Com direção de Guti Fraga, direção musical de José Luiz Rinaldi, iluminação do saudoso Fred Pinheiro, cenários de Fernando Mello da Costa e consultoria de Zezé Silva e Luiz Paulo Corrêa e Castro, Machadiando marcou o início da segunda fase do Nós do Morro. O primeiro espetáculo montado pelo grupo fora do espaço do Centro Comunitário do Padre Leeb e, talvez, a inauguração do primeiro teatro de estrutura profissional montado numa favela do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil inteiro.

 

 

Acompanhe a história dos 30 anos de trajetória do Grupo Nós do Morro.

Semana que vem tem mais!

 


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Teatro hoje

 

Foto Acervo Nós do Morro: Fachada atual do Teatro do Vidigal

 

 

 

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SHOW DAS CINCO

 

Show das Cinco

 Foto Acervo Nós do Morro

 

 

Domingo, 10 de junho de 1990. Faltando apenas dez minutos para a “transmissão televisionada” do programa Show das Cinco, o caos está instaurado. Nos camarins, tamanha é a confusão que o atraso parece inevitável. Câmeras posicionadas. Por trás das coxias, atrizes e atores mirins retocam a maquiagem. Prêmios são selecionados. A plateia espera ansiosa e o show precisa começar. Brilham os primeiros feixes dos refletores. Guti Fraga, com a intimidade e a irreverência de uma escolada estrela televisiva, toma conta do palco, enquanto o grupo Nós do Pagode dedilha acordes do tema.

 

Com sua televisão de mentirinha, o Morro do Vidigal distribui às crianças, durante cinco anos, pura fantasia. O programa conta com as apresentadoras em cadência de pagode, sinuosas paquitas e outros atrativos. Aos domingos, no Centro Comunitário Padre Leeb, o sucesso é garantido.

 

Sem qualquer fórmula, o Show das Cinco valoriza a simplicidade do programa-para-criança-feito-para-criança. Além de Guti, diretor e idealizador da brincadeira, o palco é disputado pelos oito integrantes do conjunto Nós do Pagode, por “gutetes” das redondezas em maiôs coloridos e por uma infinidade de calouros entre 6 e 14 anos.

 

A euforia infantil mostra-se já nos portões do bem equipado teatro do Centro Comunitário Padre Leeb, uma hora antes do inicio do show. Do lado de dentro, as oitenta cadeiras de madeira acolhem duas a três crianças cada uma, com atenções vidradas no cenário policromado, participando ativamente do “programa televisionado para todo o Brasil”. A câmera de isopor não esmorece um só segundo durante uma hora e meia de espetáculo.

 

No principio, Guti Fraga distribui, pessoalmente, convites pela vizinhança. Mas confirmado o sucesso, um ingresso de NCz$ 2,00 (moeda da época) passa ser cobrado. Faz parte da estratégia de profissionalização do projeto, que conta com uma equipe de operadores de som e de iluminação, além das quarenta crianças fixas que integram a rede de animadores da garotada.

 

Inspirações à parte, tomadas de artistas consagrados como a cantora Rosana e a então apresentadora de programas infantojuvenis, Angélica, além de vinhetas criadas e treinadas durante incansáveis ensaios.

 

Um corpo de júri, composto por autoridades artísticas e por representantes da própria comunidade, julga performances musicais e dublagens.

 

A vez agora é dos artistas mirins!

 

 

Continue acompanhando os 30 anos de trajetória do Grupo Nós do Morro. Até semana que vem!

 

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HOJE É DIA DE ROCK

Cartaz Hoje é dia de Rock

Acervo Nós do Morro: Arte criada para fachada do teatro

 

 

A montagem da peça “Hoje é Dia de Rock” foi levada à cena pelo Nós do Morro no início do ano de 1990, no Teatro do Centro Comunitário Padre Leeb. A montagem se baseou na peça de autoria de José Vicente que fez muito sucesso no Rio de Janeiro, onde foi apresentada pela primeira vez no Teatro Ipanema, cumprindo temporada de 1971 a 1973 e tendo sido considerada pela crítica como o mais importante espetáculo do ano de 1971. A montagem original de “Hoje é Dia de Rock” tinha direção de Rubens Corrêa, com elenco que contava com artistas conhecidos, como Evandro Mesquita (Blitz), Isabel Ribeiro, Nildo Parente e Ivan de Albuquerque. A montagem do Nós do Morro, em 1990, fez uso do elenco do grupo que, desde 1987, vinha sendo preparado com aulas de formação de ator, corpo, improvisação e canto, muitos dos quais fizeram parte das montagens anteriores do grupo como as peças “Encontros”, “Os Dois ou o Inglês Maquinista”, “Torturas de um coração” e “Biroska”.

 

 

“Hoje é Dia de Rock” conta a história dos filhos de Pedro Fogueteiro, moradores de uma cidade do interior mineiro e que passam por um processo de transformação na sua juventude, influenciados pelo ritmo novo que começa a tomar conta do mundo: o Rock and roll.

 

O espetáculo “Hoje é Dia de Rock” do Nós do Morro marca a história do Grupo por ter sido o último espetáculo a ser apresentado no Teatro do Centro Comunitário Padre Leeb. Este espaço, idealizado pelos integrantes do grupo e construído no espaço onde existia uma capela feita pelo padre alemão, mas que nunca foi utilizada por falta de licença da Arquidiocese do Rio de Janeiro, funcionou de 1987 a 1990 como sede e sala de apresentações do Nós do Morro. Ali foram encenados espetáculos como “Encontros”, “Torturas de um coração”, “Os dois ou o inglês maquinista” e “Biroska”.

 

 

Em meados de 1990, o Centro Comunitário foi ocupado pela Secretaria Municipal de Cultura, após intensas negociações da prefeitura com o padre Leeb, que viu na entrada do governo municipal uma possibilidade de regularização do seu espaço comunitário. Um dos primeiros atos da Secretaria Municipal de Cultura foi a intromissão na administração do espaço e a crise acabou tirando o Nós do Morro do local. Dali, o grupo perambulou por vários espaços, como o da Escola Municipal Djalma Maranhão, até chegar aos fundos da Escola Municipal Almirante Tamandaré, em 1993, local onde foi construído o Teatro do Vidigal que, até a cessão do Casarão da Rua Nova (2000), funcionou como sede do grupo e local de apresentações das nossas montagens.

 

Semana que vem continuaremos contando a história do Grupo Nós do Morro que completa 30 anos em 2016!

 

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Cartaz Hoje é dia de Rock acervo Nós do Morro

Acervo Nós do Morro: Cartaz do espetáculo "Hoje é Dia de Rock" em 1990

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BIROSKA

Biroska

 

Foto de cena: Acervo Nós do Morro

 

Antes mesmo de o conceito de investimento social privado se aproximar do empresariado nacional, as dez biroscas do Morro do Vidigal, em 1989, ampliam sua área de atuação, apostando na dramaturgia carioca. Com o apoio de comerciantes locais, estreia “Biroska”, mais uma produção do Grupo Nós do Morro.

 

Ao abordar situações do cotidiano da comunidade de forma similar a “Encontros”, “Biroska” segue a criação pautada na experimentação coletiva, estratégia que marcaria a obra do Grupo. O cenário é uma típica birosca que, do cume do morro, revela situações corriqueiras das noites do Vidigal. O espetáculo mostra ícones da comunidade: a radiante Vilma Caroço, sempre pronta a botar o bloco na rua. Lu, dona da birosca, e um casal de nordestinos. E a catadora de papel Margarida, representando o desamparo em que foi deixado o povo brasileiro.

 

No espetáculo de único ato, 21 atores compõem a cena, com idades entre 7 e 79 anos. Diante de uma autêntica birosca, a peça incorpora o episódio vivido por Neguinho, um morador do morro que crê ter ganhado no bicho e, impulsivo, paga cerveja para toda a comunidade. Um engano. Resolvido, é claro, pelo impagável jeitinho carioca, regado a inúmeras doses de improviso.

 

Com Biroska, a semente lançada em 1986 no palco do Centro Comunitário Padre Leeb, começa a dar frutos. Em sua quarta montagem, o Grupo conta com um elenco composto por 70% de novatos, amplia seu espaço físico e conquista a credibilidade dos moradores. É um caminho sem volta. Identificada de vez com o Grupo, a comunidade abraça uma rotina artística.

 

Com uma linguagem informal e regida por personagens folclóricos do Vidigal, o espetáculo é costurado por cenas soltas, transcorridas sobre o chão de terra e ripas de madeira e zinco. A cada apresentação, 110 espectadores se instalam nos oitenta assentos do teatro. O que se vê é euforia, cumplicidade e muita gargalhada. O ingresso é cobrado com base no preço de uma garrafa de cerveja.

 

 

Continue acompanhando a história do Grupo Nós do Morro que completa 30 anos em 2016.

 

 

Biroska Matéria de Jornal

 

 Matéria de Jornal de 1990

 

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OS DOIS OU O INGLÊS MAQUINISTA

Os Dois ou o Inglês MaquinistaSITE 

Foto: Acervo Nós do Morro

 

 

Tráfico, corrupção, cambalacho, cabide de empregos. Em 1988, quando a noite cai sobre o Morro do Vidigal, os moradores esquecem a conturbada realidade em que vivem e voltam duzentos anos na História. Mas já nos primeiros minutos de espetáculo, uma revelação: um Brasil moderno vigora sobre as reminiscências de um passado reincidente. O mesmo que, em 1840, angustiou o teatrólogo Martins Pena.

 

Na comédia “Os Dois ou O Inglês Maquinista”, o dramaturgo traça um retrato sutil da sociedade burguesa carioca do século XIX, bastante similar ao registro contemporâneo. Uma abordagem do contrabando dos negros africanos e da luta entre dois grupos antagônicos: o dos traficantes e interessados na manutenção do tráfico e o dos ingleses, que vislumbravam no fim da escravidão uma oportunidade para aumentar o lucro de seus negócios comerciais no Brasil.

 

 

Aqueles que prestigiam a terceira montagem da companhia têm a oportunidade de mergulhar na cabeça da realidade do morro. Sob direção geral de Guti Fraga, o espetáculo convida o público a deixar do lado de fora do teatro os preconceitos que marginalizam o trabalho do próprio Grupo. Presságio de um estigma em declínio. Um adeus ao “teatrinho do morro” e o advento da montagem profissional.

 

 

Com o espetáculo “Os Dois ou O Inglês Maquinista”, o Nós do Morro faz sua primeira bilheteria: simbólicos CZ$ 50,00 (cinquenta cruzados) por pessoa. Resultado: Centro Comunitário Padre Leeb lotado!

 

Semana que vem contaremos mais uma parte da história do Nós do Morro que completa 30 anos esse ano. 

 

 

                          cartaz Os Dois ou o Inglês Maquinista

                         

                                    Cartaz de Divulgação do espetáculo "Os Dois ou o Inglês Maquinista"

 

 

 

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MEMÓRIAS NÓS DO MORRO

 

 Foto Parte III

Foto: Livro Nós do Morro 20 anos

Da esquerda para a direita: Alexandra, Romildo, Barton, Deco e Tininho.

 

 

Encontros

A primeira montagem

 

Encontros, argumentos e textos de Luiz Paulo Corrêa e Castro e Tino Costa, foi levado à cena em 1987, no Teatro do Centro Comunitário do Padre Leeb. Trata-se da primeira peça montada pelo núcleo fundador do Nós do Morro, que contava com cerca de 14 atores, direção de Guti Fraga, iluminação de Fred Pinheiro, direção de movimento de Márcia Barros. A peça falava da vida de adolescentes locais, mostrando os principais pontos de encontro e reunião dos jovens adolescentes do Vidigal na década de 80 e os problemas enfrentados por eles no cotidiano da favela. Mas antes de tudo, “Encontros” era uma celebração à vida e a alegria de viver, com personagens que falavam da “merenda” de mingau de sagu da Escola Almirante Tamandaré, sonhando com um suculento bife com batatas fritas; da relação dos meninos e meninas na Prainha do Vidigal com os gringos que vinham se hospedar no Hotel Sheraton; das Kombis lotadas na Estrada do Tambá; e do encontro destes adolescentes com o amor e os conflitos de família.

 

Pontos focais do morro, como a Escola Municipal Almirante Tamandaré, o então existente  Mirante da Pedrinha, a Praia do Vidigal, o Clube Águia – onde aconteciam os bailes da época e a antiga Estrada do Tambá (atual Avenida Presidente João Goulart) eram retratados em cena por meio de telões pintados por Xandinho e neles aconteciam os episódios da peça, mostrando meninos e meninas na busca de respostas para os seus problemas existenciais e suas relações amorosas. O texto também privilegiava a discussão sobre os caminhos tomados por uma geração adolescente, que buscava uma maneira de expressar as suas indagações sobre a vida por meio da arte, mas não tinha como fazê-lo numa comunidade carente e que não oferecia quaisquer equipamentos de produção de bens culturais onde eles pudessem expressar o seu talento.

 

Desde a sua estreia, “Encontros” trouxe ao Teatro do Centro Comunitário do Padre Leeb pessoas de todo o Vidigal, com casa cheia em todas as sessões. Em todas elas, Guti fazia um pequeno discurso para o público local, apresentando o espaço e pedindo que as pessoas não levantassem para ir ao banheiro durante o espetáculo e, para aqueles que já tinham assistido antes, que não contassem o final das cenas para as pessoas do lado. Esta preleção fazia parte do projeto de formação de plateia, que integrava o projeto de formação de atores do Nós do Morro.

 

Como a peça mostrava o Vidigal e personagens que representavam moradores do bairro, em locais bastante conhecidos, como o baile do Águia, a Escola Almirante Tamandaré e a Praia do Vidigal, as pessoas que assistiam a peça saíam entusiasmadas por se reconhecerem naquilo que estava sendo retratado em cena. Todos os sábados e domingos, nas tardes antes do espetáculo, os atores do grupo saíam pelas ruas do Vidigal, com instrumentos e figurinos para “convocar” os moradores para ir ao teatro.

 

Continue acompanhando a história do Grupo Nós do Morro, sexta que vem tem mais!

 

 

 Foto 2 ParteIII

Fotos: Acervo Nós do Morro

 

 

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MEMÓRIAS NÓS DO MORRO

 Cartaz 1

 

Foto: Primeiros cartazes

 

O INÍCIO  

 

Parte II

 

 

Nos primeiros espetáculos, inspirados no cotidiano dos moradores e encenados pelos próprios, Guti Fraga cuida da direção; Fred Pinheiro da iluminação, e Luiz Paulo e Tino Costa, da dramaturgia.

 

Idos de 1986. Mesmo sendo o padre um ente venerado entre os habitantes do Vidigal, a capela de seu Centro Comunitário nunca ficara, até “Encontros”, tão cheia de gente. A avidez com que os moradores curtem o sucesso escrito por Luiz Paulo e Tino Costa traz nova realidade àquela arquitetura.

 

Desenham-se, nesse momento, as primeiras investidas na construção de um espaço dramático. O palco adaptado, a partir de então, funciona como cenário das sucessivas performances do Grupo. A companhia recebe considerável apoio da vizinhança. Nos seis meses de duração da temporada, “Encontros” mantém a casa cheia. O público identifica-se com a mise-em-scène criada e, não raro, um ou outro se manifesta em pleno espetáculo. Falta de hábito, pode-se dizer. Ou puro encantamento.

 

Naquele momento, uma média de 95% dos espectadores do Vidigal vai ao teatro pela primeira vez. Não à toa, um simples personagem com figurino desengonçado e um imenso nariz de plástico provoca gargalhadas contagiantes. Cada gesticulação ou fala é ovacionada sem que se aguarde o término da cena. A espontaneidade manifesta-se também nos atores, que, novatos, não conseguem segurar o próprio riso. Imersos na seriedade dos temas propostos, não descartam as gírias e as referências locais. Quando se entusiasmam com o eco da plateia, aumentam o tom de voz.

 

Um pouco de “Encontros"

 

Nada de lata d’água na cabeça ou tráfico de drogas. De miséria, violência e sangue, a vida real pede arrego. “Encontros” surge da necessidade de se criar um mundo que apresenta enormes desigualdades. Vinte jovens, com idades entre 11 e 20 anos, ingressam num programa de trabalho no qual, além das aulas de interpretação, participam do processo de criação e de montagem do espetáculo. Partindo de improvisações de cenas, Guti, Luiz Paulo e Tino Costa desenham um roteiro, cuja rotina dos moradores do Vidigal, sobretudo a dos adolescentes, funciona como insumo do argumento da montagem.

 

“Encontros” leva o Vidigal a brincar com os próprios costumes. As dependências do Centro Comunitário tornam-se metonímia das vivências e dos recantos mais explorados no morro: os bailes funk do clube Águia, a “azaração” na saída da escola, os primeiros beijos e a descoberta do sexo no Sempre Tem (nomoródromo local), a relação com os gringos na praia do Vidigal. Entre cacos e gargalhadas nada comedidas, temas mais sérios como a repressão sexual e a fome são discutidos.

 

Assistida por cerca de oito mil espectadores, a peça sinaliza uma aposta real num caminho artístico, no qual a comunidade é protagonista no enredo, na montagem e na criação da obra.

 

 

Na próxima sexta, falaremos um pouco mais como foi a montagem da peça “Encontros”.

 

 

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MEMÓRIAS NÓS DO MORRO

Foto Parte I 1

 

Foto: Livro Nós do Morro 20 anos.

 

O INÍCIO

 

A semente de um dos grupos de teatro do Brasil cresce do encontro de artistas com a comunidade e das contradições vividas por ambos num território marcado por conflitos sociais e econômicos. Arraigado nas origens, mas sem deixar de olhar para o horizonte à frente. De longe vieram as bases de sua fundação: uma vontade irresistível de fazer arte e soltar a imaginação. Desejo lúdico e, ao mesmo tempo, sério e embasado.

 

O ano é 1985, Guti perambula pelas vielas do Vidigal para convencer o pessoal a alternar os papos de futebol e de novela com algo que parecia ser coisa de gente rica: o teatro. Nas madrugadas encostadas no balcão de bar, ele arregimenta a equipe: Fernando Mello da Costa, cenografia; Luiz Paulo, dramaturgia e Fred Pinheiro, iluminação. Este último, colega da equipe de Marília Pêra, sobe o morro pela primeira vez.

 

O primeiro local de trabalho do Grupo é um tanto inusitado. O espaço na Rua Benedito Calixto pertence a um padre austríaco, o padre Leeb. Um espaço ao ar livre, onde Fred Pinheiro promete criar uma cenografia com refletores de lata.

 

Nas ruas do Vidigal, Guti inicia seus primeiros garimpos. Entre os primeiros talentos locais: Deco, Rita, Jô, Tino Costa e Popia Marques, folclorizados por suas violas. Em novembro de 1986, está formado o Projeto Teatro Comunidade. O nome Nós do Morro chega um pouco depois, graças à inspiração de Seu Celeste. É no seu bar, em animada reunião com os integrantes do Grupo, que acontece o batismo.

 

O Projeto Teatro Comunidade, aos poucos, vai diluindo o conceito de que somente os mais abastados têm acesso à cultura. Com a iniciativa do padre, é construído um teatro com capacidade para oitenta pessoas, equipado com um sistema de iluminação alternativo composto por refletores improvisados, dois camarins e toda a estrutura necessária para o funcionamento de uma casa de espetáculos.

 

O padre austríaco é, sem dúvida, personagem importante nessa história de fazer teatro em plena favela.

É no Centro Comunitário Padre Leeb que o primeiro espetáculo do Grupo Nós do Morro é encenado e apresentado à comunidade do Vidigal.

 

 

Quer saber mais? Acompanhe nossa história todas as sextas!

 

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